Resumen. Este artículo analiza las relaciones intersubjetivas entre clientes y trabajadoras en dos plataformas digitales de trabajo doméstico en Bogotá, Colombia. Inspirado por los estudios sociales de ciencia y tecnología feministas, el texto explora cómo se configuran mecanismos de control, auditoría y subordinación sobre las trabajadoras, en los que los clientes son actores centrales en tanto establecen las condiciones del desempeño de su labor. La literatura sobre trabajo digital se ha concentrado en el análisis de los sistemas y mecanismos tecnológicos de intermediación y las formas de administración algorítmica diseñados para geolocalizar, monitorear y calificar a las trabajadoras domésticas. Sin embargo, poco se ha dicho sobre las relaciones que se tejen con los clientes y la forma como se configuran el proceso de trabajo y las tecnologías involucradas. Mediante un conjunto de más de treinta entrevistas a profundidad con trabajadoras y clientes, se analizan estas relaciones en tres áreas: (i) la expectativa de los clientes de mecanicidad del trabajo; (ii) el uso de los sistemas de calificación; y (iii) el trabajo doméstico como trabajo afectivo. El artículo concluye con reflexiones sobre la doble subordinación a la que se ven expuestas las trabajadoras con los intermediarios digitales de servicio doméstico y sobre la importancia de pensar tecnologías justas que tengan en cuenta la experiencia y las opiniones de las trabajadoras.
Abstract. This article explores the intersubjective relationships between clients and workers on two digital domestic work platforms in Bogotá, Colombia. Drawing on feminist social studies of science and technology, it investigates the control, auditing, and subordination mechanisms affecting workers, with clients playing a key role in setting performance conditions. While much of the literature on digital labor focuses on technological intermediation and algorithmic management-used to track, monitor, and rate domestic workers-this article looks at the relationships with clients and how these shape the work process and technologies involved. Based on over thirty in-depth interviews with workers and clients, the study examines three areas: (i) clients’ expectations of mechanical efficiency; (ii) the use of rating systems; and (iii) domestic work as emotional labor. The article concludes by reflecting on the dual subordination experienced by workers due to digital service intermediaries and emphasizes the need for fair technologies that consider workers’ experiences and perspectives.
Resumo. Neste artigo, analisam-se as relações intersubjetivas entre clientes e trabalhadoras em duas plataformas digitais de trabalho doméstico em Bogotá, Colômbia. Inspirado nos estudos de ciência e tecnologia feministas, no texto, explora-se como são configurados sobre as trabalhadoras os mecanismos de controle, auditoria e subordinação, em que os clientes são atores centrais ao estabelecerem as condições para a realização do trabalho. A literatura sobre o trabalho digital tem se concentrado na análise de sistemas e mecanismos tecnológicos de intermediação e formas de gerenciamento algorítmico projetados para geolocalizar, monitorar e avaliar as trabalhadoras domésticas. Entretanto, pouco se tem dito sobre as relações que são tecidas com os clientes e como o processo de trabalho e as tecnologias envolvidas são configurados. Por meio de um conjunto de mais de 30 entrevistas em profundidade com trabalhadoras e clientes, essas relações são analisadas em três áreas: (i) as expectativas dos clientes quanto à mecanicidade do trabalho; (ii) o uso de sistemas de qualificação; e (iii) o trabalho doméstico como trabalho afetivo. O artigo conclui com reflexões sobre a dupla subordinação a que as trabalhadoras estão expostas com os intermediários de serviços domésticos digitais e sobre a importância de se pensar em tecnologias justas que levem em conta a experiência e as opiniões das trabalhadoras.