Pretende-se, neste artigo, uma análise crítica do "caso Amílcar Lobo" - médico que atuou em equipe de tortura do Exército durante a ditadura militar no Brasil, estando, simultaneamente, em formação psicanalítica na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ). Tomando o caso como "analisador" do processo de institucionalização da psicanálise, demonstra-se de que maneira as sociedades psicanalíticas filiadas à Associação Psicanalítica Internacional (IPA) - naquele contexto da história do nosso País - foram coniventes com o regime de exceção instaurado, bem como com as práticas de tortura então vigentes. Em seguida, problematiza-se, por meio de uma pesquisa acerca dos efeitos transferenciais produzidos pelo modelo padronizado de formação psicanalítica, de que modo o movimento psicanalítico se encontra implicado na produção do "caso Amílcar Lobo".
This article intends to perform a critical analysis of the "Amílcar Lobo case" - physician who were member of a torture staff of the Army during the Brazilian military dictatorship being, simultaneously, undergoing psychoanalytic formation in the Psychoanalytic Society of Rio de Janeiro (SPRJ). Regarding the case as an "analyzer" of the process of psychoanalytic institutionalization, it is demonstrated how the psychoanalytic societies affiliated to the International Psychoanalytic Association (IPA) - in that context of the history of our country - colluded with the instituted exception regime, as well as with the then current practices of torture. Finally, through a research regarding the transferential effects produced by the standardized model of psychoanalytic training, the way in which the psychoanalytic movement is implied in the production of the "Amílcar Lobo case" is problematized.
On prétend, dans cet article, faire une analyse critique du « cas Amílcar Lobo », médecin qui a travaillé en équipe de torture de l'Armé pendant la dictature militaire au Brésil au même temps qu'il était en formation psychanalytique dans la Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ). En prenant le cas comme « analyseur » du processus de l'institutionnalisation de la psychanalyse, on démontre la façon selon laquelle les sociétés psychanalytiques affiliées à l'Association Psychanalytique Internationale (IPA), dans ce contexte de l'histoire de notre pays, furent complices du régime d'exception instauré, ainsi que des pratiques de torture alors en vigueur. Puis on problématise, par le moyen d'une recherche sur les effets transférentiels produits par le modèle standardisé de formation analytique, comme le mouvement psychanalytique se trouve impliqué dans la production du « cas Amílcar Lobo ».
En este artículo se pretende un análisis crítico del "caso Amílcar Lobo" - médico que actuó en un equipo de tortura del Ejército durante la dictadura militar en Brasil estando a la vez en formación psicoanalítica en la Sociedade Psicanalítica de Rio de Janeiro (SPRJ). Tomando el caso como "analizador" del proceso de institucionalización del psicoanálisis, se lo demuestra cómo las sociedades psicoanalíticas afiliadas a la Asociación Psicoanalítica Internacional (IPA) - en aquel contexto de la historia de nuestro país - fueran conniventes con el régimen de excepción instituido así como con las practicas de tortura vigentes en ese momento. Entonces problematizamos, a través de una investigación sobre los efectos transferenciales producidos por el modelo estandarizado de formación psicoanalítica, cómo el movimiento psicoanalítico se encuentra implicado en la producción del "caso Amílcar Lobo".